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Câmara chega à F1 em alta; veja como foi a estreia de outros brasileiros

O anúncio de Rafael Câmara pela Haas para a temporada 2027 foi a grande notícia do mundo da Fórmula 1 nos últimos dias. Aos 21 anos, o pernambucano foi confirmado como substituto de Esteban Ocon e chega à categoria principal embalado por uma campanha de destaque na Fórmula 2, da qual é líder e favorito ao título. O momento convida a uma pergunta natural: quantos brasileiros antes dele desembarcaram na F1 com um currículo de base tão sólido?

Câmara e o caminho até a Haas

O currículo de Rafael Câmara nas categorias de acesso chamou atenção antes mesmo da confirmação pela Haas. Bons resultados na F4 Italiana e na F4 Alemã, somados aos títulos da FRECA e da Fórmula 3, consolidaram o nome do piloto da Academia Ferrari como uma das principais apostas do paddock. Na Fórmula 2, assumiu a liderança do campeonato na etapa do Azerbaijão e ainda precisará confirmar a vantagem diante de Nikola Tsolov e Alexander Dunne nas etapas de Catar e Abu Dhabi. Os testes realizados em Portimão, no fim de agosto, foram decisivos: segundo o chefe de equipe Ayao Komatsu, o brasileiro superou nomes como Leonardo Fornaroli, Jack Doohan e Ryō Hirakawa, além de ter tido desempenho destacado frente à referência estabelecida por Oliver Bearman.

Bortoleto, o espelho mais recente

Gabriel Bortoleto é a comparação mais próxima de Câmara. Campeão da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, logo no ano de estreia em cada categoria, o paulista entrou em uma lista que até então só contava com Charles Leclerc, George Russell e Oscar Piastri. Formado no programa de desenvolvimento da McLaren, foi contratado pela Sauber para 2025 e segue na equipe, hoje rebatizada Audi, ao lado de Nico Hülkenberg.

Trajetórias diversas, resultados desiguais

A história recente do Brasil na Fórmula 1 é marcada por talentos que não conseguiram transformar bons resultados de base em carreiras longas na categoria. Pietro Fittipaldi, campeão da Fórmula V8 3.5 em 2017, disputou apenas duas corridas como substituto de emergência em 2020 e hoje segue como piloto reserva, atualmente na Cadillac. Felipe Nasr, campeão da F3 Britânica em 2011, teve dois anos como titular na Sauber, mas perdeu o assento por questões financeiras, apesar de ter somado os únicos pontos da equipe no Mundial de Construtores de 2016.

Bruno Senna e Lucas Di Grassi tiveram passagens igualmente curtas, com boas atuações pontuais que não se sustentaram diante da instabilidade de equipes menores. Nelson Piquet Jr., vice-campeão da GP2 em 2004, viu a carreira na F1 ser interrompida de forma abrupta após o episódio conhecido como Crashgate. Antônio Pizzonia, apesar do título da F3 Britânica em 2000, nunca conseguiu se firmar como titular. Cristiano da Matta, com um caminho atípico via Estados Unidos, teve uma temporada de bons números pela Toyota antes de perder espaço.

Massa, a referência de consistência

Entre os brasileiros citados, Felipe Massa segue como o nome de maior peso. Campeão em categorias de base como a Fórmula Renault Italiana e Alemã e a Fórmula 3000 Europeia, construiu uma carreira longa na F1, com passagens pela Sauber e, principalmente, pela Ferrari, equipe com a qual brigou pelo título mundial em 2008. É essa régua de consistência - mais do que apenas o talento de base - que definirá se Rafael Câmara conseguirá transformar o momento de alta na Fórmula 2 em uma trajetória duradoura na Haas a partir de 2027.